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Ómega 3: alimentos ricos mas muito mais caros

Leite, ovos, óleos e margarinas, pão, bolachas e tostas, fiambre, néctares e peixe. Há cada vez mais alimentos que ostentam ser enriquecidos ou fonte de ómega 3, ácidos gordos essenciais com vários efeitos benéficos para a saúde. A maioria vale a pena. Contudo, as marcas fazem pagar bem este enriquecimento. Eis a principal conclusão do teste publicado na revista TESTE SAÚDE de Abril.

A maioria dos consumidores preocupados com a “linha” procuram banir totalmente as gorduras. Contudo, também são necessárias, alerta aquela revista da DECO PROTESTE: fornecem ácidos gordos essenciais para o bom funcionamento do organismo, nomeadamente os chamados ómega 3. Como o organismo não os sintetiza, só há duas formas de suprirmos as nossas necessidades: através da ingestão de alimentos naturalmente ricos ou enriquecidos em ómega 3.

“Uma alimentação variada e equilibrada, incluindo peixe, pelo menos duas vezes por semana, legumes de folha verde diariamente e, para petiscar, umas nozes ou amendoins, conseguirá suprir as necessidades do organismo em ómega 3”, revela esta revista dedicada a assuntos de saúde. Assim, os alimentos enriquecidos podem ser úteis se não seguir uma alimentação saudável que inclua peixe e legumes de folha verde, como espinafres ou couve, ou em situações que requerem uma maior quantidade destes ácidos gordos essenciais (gravidez, amamentação, crianças em crescimento).

As análises revelam que a maioria dos alimentos que mencionam ómega 3 nos rótulos, como o leite, o pão, os ovos, os peixes, os óleos e as margarinas, são boas fontes de ómega 3. “São produtos vantajosos face às versões clássicas, pois o seu consumo permite aumentar consideravelmente a quantidade de ómega 3, sem ser necessário ingerir grandes doses destes alimentos”. As bolachas e o fiambre analisados também apresentam um significativo enriquecimento face à versão comparativa.

As tostas e os néctares analisados não compensam, pois pouco contribuem para suprir as nossas necessidades em ómega 3.

“O reverso da medalha é o preço. Algumas marcas fazem pagar bem este enriquecimento: chegam a custar o dobro, como é o caso dos óleos, do leite, das tostas e dos ovos”, adverte esta revista de defesa do consumidor.

Os peixes são fontes naturais de ómega 3. Ou seja, têm já estes ácidos gordos na sua composição, realça esta revista que analisou salmão e pescada congelada, sardinha e atum em conserva. Dos peixes testados, destaca-se a sardinha e o salmão. Comer meia lata de sardinhas ou uma pequena posta de salmão fornece a quantidade necessária de ómega 3. No caso do peixe, o facto de uma marca destacar, no rótulo, que o alimento é rico ou fonte de ómega 3 não deve influenciar o consumidor a escolhê-la em detrimento de outra. Dentro dos alimentos naturalmente ricos, o conselho é escolher o mais barato, pois as análises não revelaram diferenças a este nível.

A TESTE SAÚDE lamenta a ausência de lei que especifique a dose necessária para os fabricantes poderem incluir alegações “enriquecido, rico” ou “fonte natural de ómega 3” nos rótulos. Esta associação de defesa dos consumidores faz um apelo ao Ministério da Agricultura, do Desenvolvimeto Rural e das Pescas neste sentido. “Até lá, cada fabricante é livre de alegar o que lhe apetecer, ficando o consumidor à mercê da sua boa fé”, uma situação que a DECO considera inadmissível.

ESSENCIAIS PARA O ORGANISMO

  • Após observar que os esquimós da Groenlândia e os habitantes da Ilha de Creta praticamente não apresentavam doenças cardiovasculares, associou-se este facto ao tipo de alimentação. Ambos são grandes consumidores de alimentos ricos em ómega 3. Os primeiro ingerem grandes quantidades de peixe gordo; a alimentação dos segundos assenta essencialmente em peixe gordo, caracóis e legumes de folha verde, todos ricos em ómega 3.
  • Os ómega 3 reduzem os níveis de gordura no sangue (nomeadamente dos triglicéridos). Previnem a formação de placas de aterosclerose responsáveis pelo entupimento progressivo das artérias e asseguram uma maior elasticidade das paredes das veias. Alguns produtos referem que os ómega 3 agem ao nível do colesterol, mas esta acção nunca foi validada de um modo consensual.
  • Os ómega 3 são essenciais para o desenvolvimento e bom funcionamento do cérebro, dos nervos, da retina e do todos os órgãos sensoriais, pelo que se aconselha as grávidas, as mães que amamentam e as crianças a ter uma alimentação rica em ómega 3. Estes ácidos gordos também desempenham um papel importante na memória, concentração e faculdades de aprendizagem.
  • Embora os ómega 3 não interfiram nos níveis de açúcar no sangue, o seu consumo pode ser muito útil em diabéticos, por reduzir o nível de triglicéridos.

| TESTE SAÚDE n.º 60 - Abril/Maio de 2006 - páginas 9 a 13 |

29.03.2006

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