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A DECO PROTESTE leva a Roda dos Alimentos à escola. Os alunos do 6.º ano construíram-na com entusiasmo e sabedoria. Siga a sessão.
A antecipar o Dia Mundial da Alimentação, que se comemora a 16 de Outubro, a nossa técnica da área alimentar Dulce Ricardo explicou as noções essenciais de alimentação e bem-estar aos alunos do 6.º ano da Escola EB 2,3 de Santiago, Custóias, no concelho de Matosinhos, um estabelecimento da rede DECOJovem que aceitou o desafio.
No final, fornecemos materiais e pedimos aos estudantes para construírem a Roda dos Alimentos. Todos passaram com distinção. A maioria admite que é muito difícil passar da teoria à prática e resistir a chocolates e refrigerantes.
Despertar de consciências
Passava pouco das oito e meia da manhã quando as portas se abriram à entrada
ordeira de 20 alunos e 3 professores. Com ar curioso, os estudantes sentaram-se
impacientes. Hora e meia depois, cedem o lugar a mais 50, para nova sessão.
“Chamo-me Dulce. Venho da DECO, Associação Portuguesa para a Defesa do
Consumidor, para falar de alimentação e bem-estar”, atira a nossa técnica para
agarrar a audiência. Na tela da parede, surge uma frase provocatória: “somos os
que comemos”. A assistência não reage. “Isto não quer dizer que, ao comer um
bife, nos transformemos num bife ou será?”. Ouve-se um “não” tímido e o silêncio
cai de novo no auditório.
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Dulce Ricardo ensina alunos do 6.º ano
de Custóias a comer melhor. |
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Braços no ar indicam apreciadores de
legumes. |
O nosso organismo precisa da maioria dos alimentos à disposição, mas em
quantidades diferentes. A Roda dos Alimentos é uma representação gráfica das
necessidades diárias: está dividida em 7 fatias de diversos tamanhos, que
indicam a proporção de cada grupo. A fatia maior pertence aos cereais, derivados
e tubérculos. “Sabem quais os alimentos que fazem parte desta fatia?”. A questão
soou como um despertador: “pão, massa, arroz, batata…”, acordam inúmeras vozes.
Começava a agitação.
Veja o vídeo: a RTP acompanhou a sessão
A segunda maior fatia pertence aos hortícolas, também conhecidos por legumes,
ricos em vitaminas, minerais e fibras. “Quem gosta de legumes?”. Muitos braços
no ar. Os adultos sorriem, desconfiados. A maioria dos participantes jura comer
2 pratos de sopa por dia. Excelente. Ingerem a dose quase ideal de hortícolas e
numa boa forma: as vitaminas e minerais que se dissolvem na água são
aproveitadas.
Os menos entusiastas do verde não se manifestam. Rúben Santos, 11 anos,
confessou-nos mais tarde que não come a sopa da cantina porque é muito “grossa”.
Convém, então, que este prato faça parte do jantar, recomendámos. Deve, ainda,
ingerir, pelo menos, 1 chávena almoçadeira de legumes cozinhados ou 2 de crus. A
primeira opção não agrada ao rapaz, mas compensa com salada de alface, tomate,
cenoura e pepino. Já Raquel Domingues, da mesma idade, só leva à boca tomate cru
e sopa com legumes passados.
O projector anuncia a terceira fatia da Roda: a fruta. Maçã, uvas, melão e
morangos são os preferidos da plateia, agora, mais participativa.
A maioria confirma a ingestão de 4 porções diárias. Para Paulo Pacheco, 12
anos, este é o grupo de alimentos mais importante e apetitoso, se não contarmos
com os chocolates. Declara-se guloso e não prescinde dos doces, mas sabe que
deve reduzir. Ao contrário da maioria dos colegas, por vezes, leva maçãs para o
lanche na escola, com casca para aproveitar as vitaminas e fibras. Já Beatriz
Carvalho prefere a fruta pronta a comer: a mãe prepara-a e manda-a numa caixa de
plástico. É uma solução prática e, se estiver bem fechada, a fruta não
oxida.
O quarto sector pertence aos produtos lácteos. Toda a assistência os
identifica com facilidade: leite, queijo e iogurtes. São bons fornecedores de
cálcio, indispensável para a formação dos ossos e dentes. As crianças e
adolescentes precisam de 3 porções por dia. Um copo de leite, um iogurte líquido
e duas fatias finas de queijo enchem a medida. Tal como nos restantes grupos de
alimentos, a palavra de ordem é variar. O queijo exige cuidados a dobrar por
causa do sal. Rúben Santos, na penúltima fila, revela-se apreciador queijo
fresco. Ouve elogios da nossa técnica: é uma boa opção, por ser menos
salgado.
“E o leite, bebem-no simples ou com chocolate?”, quisemos saber. As respostas
dividiram-se, mas Pedro Freitas, 11 anos, é categórico: “não consigo beber leite
branco”. Nesse caso, o melhor é, quando beber em casa, juntar o chocolate,
reduzindo a quantidade gradualmente, porque o paladar educa-se.
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“Devo comer pouco açúcar e sal”, Beatriz
Carvalho, 10 anos |
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“Não gosto muito de legumes cozidos”,
Alex Leites, 10 anos |
Menos carne, mais peixe
Chega a vez das fatias mais pequenas da Roda, “mas não menos importantes”, reforça a formadora. “Gostam mais de carne ou de peixe?”, arrisca ao introduzir a 5.ª fatia. A resposta adivinha-se: carne, claro, e em grande quantidade. A nossa técnica explica que basta um bife do tamanho da palma da mão, mas a audiência não parece ceder.
Vasco Pires, 11 anos, consome sobretudo carne branca, como frango, peru e coelho. “São mais saudáveis”, afirma convicto. O peixe é mal amado e, muitas vezes, entra à força no prato dos mais novos. “Os alunos manifestam desagrado sempre que há peixe na cantina”, revela Serafim Silva, director-adjunto da escola.
Alex Leites, 10 anos, faz parte dos queixosos: reclama na escola e em casa, mas é obrigado a comer. Sardinha e salmão, os que mais agradam, são peixes gordos, que fornecem ácidos gordos ómega 3, importantes para o desenvolvimento e funcionamento do cérebro: “ajudam a manter a concentração durante as aulas”, remata a formadora.
Os ovos raramente surgem como única fonte de proteínas para estes estudantes. Em geral, acompanham o bife ou o peixe cozido. “É um erro”, avisa Dulce. Devem ser consumidos em refeições diferentes, para evitar o excesso daquele nutriente.
“O que é soja?”, questiona a assistência quando a tela reflecte a descrição das leguminosas. É colega de grupo das ervilhas, favas, feijão e grão-de-bico. Fornecem proteínas, energia e fibras. Três colheres de sopa por dia de leguminosas frescas ou secas cozinhadas são suficientes.
Entram em cena as gorduras e óleos, o sector mais pequeno da Roda. “As gorduras vegetais são melhores”, adianta Vasco Pires. Certo, mas não significa que possamos consumi-las à vontade. Basta uma colher de sopa de azeite e uma de sobremesa de margarina.
Estão apresentados os sectores, mas a Roda não está fechada. Há um círculo no meio. “Alguém sabe o que é?”, desafia a nossa técnica. “Áaaagua”, respondem a plateia a uma só voz.
A água é essencial à vida, compõe 60 a 70% do nosso organismo e é essencial para a absorção dos nutrientes. “Também serve para regular a temperatura, por exemplo, quando transpiramos”, arremessa um dos mais atentos. É verdade e precisamos de ingerir entre 1,5 e 3 litros por dia. A maioria dos alimentos já a contém. Basta beber um litro e meio.
Reservas de chocolate
Após 40 minutos de partilha animada sobre alimentação saudável, os
participantes revelam: chocolates, chupa-chupas e refrigerantes são tentações
irresistíveis. Têm muito açúcar, fazem mal aos dentes e contribuem para a
obesidade. A lição é muito difícil de pôr em prática, revela a experiência dos
pequenos.
Os doces, a par dos restantes alimentos que não integram a Roda, são
dispensáveis e consomem-se por prazer. Não é preciso bani-los, mas exige-se
moderação: “tentem, pelo menos, reduzir a uma vez por semana”, recomenda Dulce
Ricardo. Os sorrisos desvendam intenções pouco cumpridoras.
A “aula” da DECO PROTESTE deixa, contudo, algumas sementes. O Vasco, o Ruben
e a Beatriz, por exemplo, mostram-se decididos a convencer as mães a usar menos
sal. A Bárbara, a Ana Sofia e o Alex prometem moderar as reclamações sobre as
refeições de peixe. A Ana Catarina não vai esquecer-se de variar a dieta, tendo
em conta a quantidade recomendada pelas várias fatias da Roda. O Daniel garantiu
estudar melhor os rótulos. A Beatriz já consulta a quantidade de calorias,
porque não quer engordar.
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A nossa técnica dá dicas para construir
a Roda dos alimentos. |
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Vasco encaixa vitorioso a fatia dos
lacticínios. |
Combate pelo pequeno-almoço
A Roda dos Alimentos já não tem segredos para os pequenos consumidores. Falta saber como levá-la à prática. Cinco refeições diárias é o ideal, com 3 principais, um lanche a meio da manhã e outro à tarde. As crianças, no geral, cumprem esta regra e a maioria leva leite, pão ou bolachas de casa para comer na escola.
O pequeno-almoço é eleito a refeição mais importante do dia, já que se segue a um longo período sem comer. Ruben Santos sabe-o, mas não consegue levar nada sólido à boca: em casa, bebe uma caneca de leite e leva uma sandes para o primeiro intervalo. A maioria dos colegas prefere cereais com chocolate. “Um prato bem cheio, todos os dias”, vangloria-se Paulo Pacheco. “É demais, porque têm muito açúcar”, alerta Dulce Ricardo. Bastam cinco colheres de sopa e convém alternar com pão, por exemplo, e queijo ou fiambre e torradas. Os estudantes não ficaram muito convencidos, mas o filme Combate ao pequeno-almoço deixa-os a pensar: os alimentos saudáveis dão mais força e energia do que os doces.
Pior estão as crianças que vão para a escola sem comer nada. “Por vezes, queixam-se de dores de barriga e má disposição. Investigamos e concluímos que não tomaram o pequeno-almoço”, conta Margarida Almeida, professora de Ciências da Natureza. A falta desta refeição manifesta-se, muitas vezes, “por pouca concentração e irritação nas primeiras aulas da manhã”, acrescenta Marta Pinheiro, que lecciona a mesma disciplina.
Quando os alunos chegam repetidas vezes sem comer, os directores de turma falam com a família e, nos casos mais graves, o bar da escola oferece-a, no primeiro intervalo da manhã. Mas as preocupações não ficam por aqui. As ementas do refeitório são elaboradas com ajuda de um nutricionista, há sempre sopa e as refeições de carne alternam com as de peixe. “Para forçar os alunos a comer na cantina, fechamos o bar à hora de almoço”, destaca o director adjunto da escola. Um exemplo a seguir.
Última atualização em outubro de 2010
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Sumário
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