Nove amostras de água com níveis elevados de radioactividade
A DECO PROTESTE analisou 49 amostras de água da rede pública e engarrafada e detectou indicadores de radioactividade preocupantes em sete localidades e duas marcas.
Na sua edição de Outubro, a revista dos consumidores TESTE SAÚDE revela que a água da rede pública da Areosa (Viana do Castelo), Roussas (Melgaço), Seixo Amarelo (Guarda), Porto, Vila Nova de Tazem (Gouveia), Penedono e Couto do Mosteiro (Santa Comba Dão) apresenta valores de actividade alfa total , indicador de radioactividade, superiores ao valor estabelecido por lei.
Quanto à água engarrafada, nas marcas Pedras Salgadas e Vidago, detectámos uma actividade radiológica beta total quase três vezes superior ao valor definido para a da rede pública. As concentrações de rádio, um elemento radioactivo, também eram mais elevadas do que o recomendado pelo Instituto de Águas e Resíduos (IRAR) para a água destinada a consumo humano.
Ao contrário do que acontece com a água de abastecimento público, a lei que regulamenta a mineral natural e de nascente (engarrafada) não prevê o controlo de parâmetros radioactivos.
No caso da rede pública, os distribuidores são obrigados a controlar indicadores de radioactividade desde 1998. Em 2001, a transposição da directiva europeia relativa à água de consumo humano reforça esta obrigação. Mas, segundo o IRAR, entidade competente na área da qualidade da água para consumo humano, a maioria dos distribuidores nunca incluiu parâmetros radioactivos na monitorização da qualidade da água. Por isso, aquela entidade oficial não tem respostas para dar ao consumidor nesta matéria, denuncia a DECO.
Os valores encontrados no estudo são um sinal de alarme, que impõe a realização de análises mais aprofundadas, dizem os representantes dos consumidores. É preciso determinar os elementos causadores do problema e verificar se a sua concentração excede a dose radioactiva considerada segura para a saúde humana, missão que cabe às entidades distribuidoras e engarrafadores de água.
Vários estudos têm demonstrado que a exposição à radioactividade de diversas origens pode causar, por exemplo, problemas no funcionamento da tiróide e dos rins, diminuição da capacidade reprodutiva e das defesas do organismo.
Face aos resultados detectados, a DECO deu a conhecer a situação às câmaras municipais dos locais a que reportam os resultados, Instituto Regulador de Águas e Resíduos, Direcção-Geral da Saúde, Inspecção-Geral da Saúde e direcções regionais de saúde envolvidas, exigindo que tomem medidas urgentes.
O Instituto Regulador de Águas e Resíduos e Instituto da Água deverão fazer um estudo radiológico exaustivo a todas as águas destinadas ao consumo humano.
Às entidades gestoras da água de abastecimento público impõem-se que respeitem a lei, verifiquem os parâmetros de radioactividade e tomem medidas correctivas, em caso de problemas.
Ao Governo exige-se a revisão da lei relativa às águas minerais naturais e de nascente, incluindo a monitorização obrigatória da radioactividade. Os resultados actualizados deverão ser indicados no rótulo, acompanhados de uma advertência para não beber com frequência, se for caso disso.
A TESTE SAÚDE aconselha os consumidores a procurem conhecer o nível de radioactividade da água que consomem, sobretudo se provier de uma zona de risco, como são as regiões de minas de urânio ou solo granítico. Os resultados das análises deveriam integrar os boletins da qualidade da água das câmaras municipais, juntas de freguesia ou entidades gestoras. Caso estas entidades não disponham da informação, o consumidor poderá tentar contactar a Delegação Regional de Saúde.
| TESTE SAÚDE n.º 57 – Outubro/Novembro de 2005 – páginas 9 a 12 |