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"Água limpa para um mundo saudável"

Em 2010, o Dia Mundial da Água foca a sensibilização para a qualidade. Estima-se 1,1 biliões de pessoas sem acesso a água potável.

Em Portugal, a situação evoluiu positivamente nas últimas décadas. Mas ainda há muito a mudar para uma gestão mais eficaz. Está nas mãos das entidades gestoras da rede pública, produtores de equipamentos e consumidores.

Abastecimento de água
O Plano Estratégico para o Sector das Águas pretende servir cerca de 95% da população com sistemas públicos. Em 2007, 92% da população cumpria esse objectivo, segundo o Relatório Anual do sector de Águas e Resíduos em Portugal. Mas o ERSAR aponta apenas 86 por cento. O investimento em infra-estruturas e promoção da efectiva adesão dos utilizadores terá de continuar, para garantir a utilização de um serviço com forte impacto na vida dos cidadãos e saúde pública.

Nos últimos 16 anos, a percentagem de água controlada de boa qualidade cresceu. Em 1993, apenas cerca de 50% da água era controlada e tinha boa qualidade. Em 2008, este indicador estava muito próximo dos 97 por cento. Entidades gestoras de pequena dimensão e com um número significativo de zonas de abastecimento deverão rapidamente corrigir estas falhas, fáceis de resolver.

O País atingiu a melhor situação de sempre no controlo da qualidade da água para consumo humano e confirma a tendência de melhoria dos últimos anos. Pela primeira vez foi atingido um valor de cumprimento da frequência regulamentar de amostragem acima dos 99% e mais de 97,6% dos valores paramétricos. Quanto à vigilância sanitária, não há evidências que os incumprimentos registados em 2008 tiveram repercussões negativas na protecção da saúde humana.

Saneamento de águas residuais
Face a 2007, o PEAASAR II - Plano Estratégico de Abastecimento de Água e de Saneamento de Águas Residuais - fixa para 2013 dotar 90% da população com rede de drenagem e estação de tratamento de águas residuais:

  • o nível estimado de atendimento em drenagem e tratamento de águas residuais era, em 2007, respectivamente de 80% e 72%, segundo o Inventário Nacional de Sistemas de Abastecimento de Água e de Águas Residuais (INSAAR);
  • o desenvolvimento das redes de drenagem e dos sistemas de tratamento não tem sido uniforme. Os concelhos nas bacias hidrográficas da região sul apresentam maior cobertura de ambos os serviços;
  • no tratamento, mantêm-se redes de drenagem sem assegurarem o tratamento a jusante, o que origina a concentração da poluição em descargas tópicas significativas;
  • o da reabilitação de colectores, ramais de ligação e obstruções em colectores;
  • análises de águas residuais e cumprimento dos parâmetros de descarga. As entidades gestoras devem realizar as análises requeridas pela lei, bem como ampliar as estações de tratamento;
  • destino final de lamas (média: 19%; valor de referência: 100%). Urge promover continuamente o destino final adequado de lamas do tratamento.

O PEAASAR II estima a necessidade de investimentos nos sistemas de abastecimento e saneamento na ordem dos € 7630 milhões, entre 2007 e 2013.

Para conhecer melhor…
Potabilidade

  • Para conhecer a qualidade da água que sai da sua torneira, consulte a entidade gestora responsável pela distribuição na área. Também a ERSAR (Entidade Reguladora dos serviços de Água e Resíduos) disponibiliza informação por concelho e, por vezes, freguesia, para os anos mais recentes.
  • A água proveniente de captações particulares pode estar poluída por pesticidas, metais pesados, nitratos ou bactérias, algumas patogénicas. É indispensável controlar regularmente a qualidade, pelo menos, 2 vezes por ano. Pode recorrer à nossa parceria com o CITEVE e usufruir de preço especial.
  • A água que permanece por algum tempo num termoacumulador pode não ter as mesmas características de potabilidade da que provém da torneira de água fria. O aquecimento muda a composição da água e algumas bactérias aproveitam o calor para se reproduzir. Utilize apenas a última para beber, cozinhar e preparar bebidas quentes.

Sabor e aspecto

  • Após falta prolongada, a água pode apresentar um aspecto e odor pouco agradáveis. Tal deve-se a sólidos em suspensão (ferro, magnésio, areias, etc.) arrastados pelas condutas. Deixe a água correr por alguns momentos (pelo menos 3 litros por cada torneira, de preferência, em simultâneo). Reserve a primeira água do dia para usos não alimentares. Se o problema persistir, contacte a entidade distribuidora e peça uma análise.
  • A desinfecção com cloro evita a contaminação bacteriana. O cheiro a cloro na água é uma prova de que foi tratada. A dose máxima permitida não representa perigo, mas pode ser desagradável ao paladar dos mais sensíveis. O modo mais simples, rápido e económico é retirar a água para um jarro, agitá-lo e deixar repousar um pouco antes de beber. Nesse período, o cloro residual liberta-se e o odor e sabor característicos desaparecem.

Saúde

  •  O calcário não é prejudicial. A água calcária é rica em cálcio e magnésio, necessários ao nosso organismo. Mas quando a água é aquecida acima de 60ºC, o calcário deposita-se nas canalizações, torneiras e electrodomésticos. Sem calcário, a água teria características mais ácidas.
  •  Alguns municípios têm problemas de contaminação por nitratos. A mistura de água de várias origens é um método simples para baixar a concentração e, assim, respeitar os valores paramétricos definidos. As grávidas e lactantes devem consumir água com baixo teor de nitratos (no máximo, 25 miligramas por litro).
  • Os efeitos do alumínio têm sido estudados, dada a possível relação com a doença de Alzheimer. O excesso de alumínio pode dever-se a deficiências no funcionamento das Estações de Tratamento de Águas (ETA), dado que é utilizado para facilitar a extracção de pequenas impurezas.
  • Os produtores de filtros para torneiras recomendam o uso destes apenas em sistemas de água potável. Não há motivo para o uso dos mesmos: a água pode ser contaminada por bactérias que tendem a desenvolver-se no próprio filtro.

  Última atualização em março de 2010

 
 
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